Dia do pai

 

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O que não escrevi naquele domingo, 13

 

Bosco de Araújo

Foi no segundo domingo de agosto de 1978. O dia passou e nele passaram-se as saudades que senti e que milhares e milhares de pessoas também sentiram-nas. Foi o dia 13, dedicado aos pais.

 

É muito bom um filho ter um pai que ele o conheça. Um pai que ele possa apontar e dizer para as pessoas: “ Olha aqui, este é o meu pai!” E se por algum motivo o filho tiver que dizer, mesmo tomado pela emoção: “tá vendo aquele ali, ele sim é que é o meu pai”, não deverá ter vergonha de assim proceder.

 

Naquele domingo, o dia foi passando, passando... Corria na velocidade do tempo e as  lembranças rolando no pensamento que eu vivia e recordava a imagem daquele que me colocou neste mundo, que me criou e me abraçou, junto aos demais irmãos que ele também os fez.

 

Parei para pensar. Vi e senti que meu pai foi um herói. Um super-homem Um ser extraordinário. Não há  como explicar!

 

Ele fez de tudo que a natureza possa ter para constituir um lar. Trabalhou, produziu e colheu. É tudo maravilhosamente belo. São os truques do criador com sua infinita sabedoria.

 

Imagine ainda que naquele dia que só poderia ter sido de alegria havia também tristeza, pois no rolo das recordações eu ria por mim e chorava a dor de quem sentia que outros poderiam estar sofrendo num dia de alegria. Na verdade, foram muitas razões que me fizeram chorar e muito mais ainda as que me fizeram sorrir. 

 

E lembrar que tudo simplificava-se quando voltava a vê-lo. Todo o mistério se acabava e se tornava tão simples como a própria maneira de vivermos. Eram novas gravações no meu cérebro-tape.

 

E naquele dia mais imagens iam se passando dentro de mim. Tudo aquilo estava se desenrolando e regravando para que agora eu pudesse escrever o que não escrevi naquele domingo, 13 de agosto, dia dos pais, do ano de 1978. Tudo isso é mais uma gravação do palco da minha vida que realizo, embora in memoriam.

 

Ele, o meu inesquecível e querido pai Pedro Salviano de Araújo, de saudosa memória, faleceu três anos depois, em uma curva da BR 427, na localidade Itans, em Caicó, no ano de 1981.

 

> Publicado no jornal Tribuna do Norte, no domingo, 13 de agosto de 2000.