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BRASIL, Homem, de 46 a 55 anos, Reg. JP/Diplomado:204/SRT- Nordeste [RIO GRANDE DO NORTE]



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Citação



Ficção

  Ladrões de galinhas

 

   Leonardo Sodré

   Jornalista

A noite estava mais escura do que o normal naquele sábado. Grossas nuvens que pareciam querer anunciá-las no mês de agosto passavam rápido. Natal estava fria por causa dos mesmos ventos do mês das cobras, que empurravam as nuvens para longe. Os dois rapazes não pensavam nisso. Já haviam acostumado os olhos a negritude da noite e observavam agachados os movimentos daquela pequena casa em pleno bairro das Rocas, que tinha um grande quintal. Coisa de antigamente, do começo do século XX, quando a cidade não dispunha de muitas coisas e os quintais se alongavam para, também, oferecerem meios de subsistência. Olhavam pela janela o casal que assistia televisão enquanto trocavam beijos e carícias e para o galinheiro, repleto de galinhas gordas.

Pacote, o mais velho, virou-se para Embrulho, que era mais novo e impaciente e ordenou sussurrando:

-Vamos esperar que eles entrem no quarto. Pelo jeito, depois de tanto sarro, isso não vai demorar Fique quieto, como se estivesse morto, viu?

Não demorou e o casal desligou o aparelho de TV e se dirigiu ao quarto. Apagaram a luz da sala e acenderam a do quarto. Beijaram-se novamente e, como se pressentissem a presença de alguém, voltaram a apagar a luz.

-E agora? – choramingou Embrulho.

-Agora vamos esperar pelos gemidos para pegar as penosas...

Eles não demoraram a encher vários sacos de estopas de galinhas gordas, que fizeram o maior barulho durante o seqüestro, mas que foram abafados pelos gritos de amor, subestimados por Pacote, que esperava apenas gemidos

Pularam rápido o muro e seguiram em direção a Ribeira, onde pararam numa banca de meio de rua para tomar uma de cachaça para esfriar a emoção. Dentro dos sacos as galinhas gemiam e um galo, muito agitado, dava bicadas no grosso pano. Levou uns três cascudos de Embrulho, até se limitar a pequenos cacarejos.

Os dois ladrões de galinha saíram em direção ao Grande Ponto. Subiram pela Juvino Barreto e resolveram cortar caminho pela rua São Tomé, que desemboca no Beco da Lama, onde poderiam tomar mais uma de cana e encontrar, quem sabe, fregueses para as suas “bichinhas”. Durante a caminhada eles perceberam que foram com “muita sede ao pote”. Haviam roubado muitas galinhas e os dois sacos começavam a pesar inclementemente nas costas dos dois, principalmente durante a subida da rua São Tomé. Chegaram à esquina da prefeitura esbaforidos, suando mais do que “tampa de chaleira”. O efeito da cachaça já havia passado e eles agora podiam avaliar a situação. Tinham uma ruma de galinhas e um galo brabo, mas seria difícil levar tudo para casa, que ficava num sítio nas cercanias do bairro de Igapó.

-Já pensou caminhar até em casa com esse peso todo? Vamos alugar um carro de praça? – Disse Embrulho.

 Pacote, que era o chefe da dupla, respondeu:

-Só se a gente vendesse umas duas galinhas, mas uma hora desta está todo mundo biritado e ninguém vai querer uma penosa. Pode querer daquelas outras “galinhas”... Nenão? Vamos embora assim mesmo...

Enfrentaram o pequeno declive da rua Vigário Bartolomeu e dobraram a direita na rua Coronel Cascudo, passando pela frente do Bar de Nazaré Lá, apenas um bêbado notou a passagem dos dois, que também carregavam cacarejos, como um carro de som surrealista, e gritou:

-Essas galinhas dormiram aonde?

-Pacote, mais discreto, não disse nada. Pelo contrário, até apressou o passo. Mas Embrulho, mais esquentado, deixou ficar bem pertinho do “Chorinho de Camilo”, para se virar e estirar o dedo. Um dedo sujo, enorme e indecente. Mas, a turma do chorinho, nem notou, acostumado com atritos maiores.

Quando chegaram ao estacionamento lateral da Assembléia, Pacote parou e mandou Embrulho pegar duas doses de cachaça num bar. Ficou pensando no que fazer. Podia diminuir o peso do roubo soltando algumas galinhas, mas aí ia ficar no prejuízo, depois de tanto esforço. Não sabia o que fazer até notar o carro de Eduardo Alexandre (Dunga), parado bem direitinho ao lado do Museu Café Filho. Abriu um sorriso de poucos dentes, que chamou a atenção de Embrulho, que ia chegando com as duas canas e umas lascas de goiaba.

-Está rindo de quê?

-Acho que resolvi o problema do transporte...

Vamos roubar aquele Santana velho, meter as galinhas dentro e fazer carreira para casa!

-Mas Pacote, – Embrulho fez cara de entendido – aquele carro deve estar abandonado, parado ai há muito tempo. Veja o estado dele...

-Está não! Botei a mão na tampa do motor e ainda estava quente. Vamos embora que eu sei fazer a ligação direta. Aprendi vendo um filme...

Embrulho ainda argumentou que era melhor roubar um carro novo, que não apresentasse problemas mecânicos, mas Pacote era muito inteligente.

-Meu filho, - disse ensaiando estar muito calmo – qual é o carro daqui, novinho, que ficaria bem cheio de galinhas? Nesse aí, que já parece um galinheiro, daremos a impressão de estarmos indo vender as penosas na feira. Entendeu meu filho? Entendeu?!

Pacote era foda, pensava em tudo. Resignou-se Embrulho, satisfeito.

Não foi difícil roubar o carro de Dunga, que somente abria a porta do motorista. Eles descobriram logo. Depois viram que os vidros não baixavam e que precisava ter cuidado com o buraco que tinha no chão do carona. Colocaram os sacos de galinhas no banco traseiro e deixaram o Santana escorregar, devagarzinho, sem ligar, em direção a rua da Conceição. Ninguém notou, porque Dunga costuma fazer a mesma coisa para o “bicho” pegar no tronco defronte da Assembléia Legislativa, para desespero do guarda que todas às vezes, acorda com o barulho da descarga em ruínas.

Quando o carro pegou, Pacote tentou tirar da segunda para a terceira marcha, começou a descobrir que no carro do poeta somente funcionam a segunda, a quarta e a ré. Descobriu, também, que o acelerador estava enganchado (está assim desde o veraneio de 1992, na Redinha – Dunga já havia me confidenciado) e que teria que controlar a velocidade por meio da embreagem. Quase desceu na contramão em direção a Ribeira, mas conseguiu fazer uma curva fechada, entrando na rua Ulisses Caldas em alta velocidade cantando pneus. O prefeito Carlos Eduardo estava atravessando a rua para pegar o seu carro, estacionado defronte a garagem da Assembléia Legislativa e teve que se apressar para não ser atropelado.

-Eduardo Alexandre está com a gota hoje! Quase me mata de susto. Lembre-me para eu mandar a STTU prender aquele carro segunda-feira. E essas penas todas voando? O que será?

O auxiliar, homem perspicaz e conhecedor dos eventos culturais promovidos pelo poeta no Beco da Lama, respondeu:

-É bem capaz dele já está providenciando as fantasias para o Carnaval do Centro Histórico. Daqui a pouco chega por aqui pedindo dinheiro para pagar as bandas...



Escrito por AssessoRn às 13h27
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Dia do pai

 

          Arquivo/web

O que não escrevi naquele domingo, 13

 

Bosco de Araújo

Foi no segundo domingo de agosto de 1978. O dia passou e nele passaram-se as saudades que senti e que milhares e milhares de pessoas também sentiram-nas. Foi o dia 13, dedicado aos pais.

 

É muito bom um filho ter um pai que ele o conheça. Um pai que ele possa apontar e dizer para as pessoas: “ Olha aqui, este é o meu pai!” E se por algum motivo o filho tiver que dizer, mesmo tomado pela emoção: “tá vendo aquele ali, ele sim é que é o meu pai”, não deverá ter vergonha de assim proceder.

 

Naquele domingo, o dia foi passando, passando... Corria na velocidade do tempo e as  lembranças rolando no pensamento que eu vivia e recordava a imagem daquele que me colocou neste mundo, que me criou e me abraçou, junto aos demais irmãos que ele também os fez.

 

Parei para pensar. Vi e senti que meu pai foi um herói. Um super-homem Um ser extraordinário. Não há  como explicar!

 

Ele fez de tudo que a natureza possa ter para constituir um lar. Trabalhou, produziu e colheu. É tudo maravilhosamente belo. São os truques do criador com sua infinita sabedoria.

 

Imagine ainda que naquele dia que só poderia ter sido de alegria havia também tristeza, pois no rolo das recordações eu ria por mim e chorava a dor de quem sentia que outros poderiam estar sofrendo num dia de alegria. Na verdade, foram muitas razões que me fizeram chorar e muito mais ainda as que me fizeram sorrir. 

 

E lembrar que tudo simplificava-se quando voltava a vê-lo. Todo o mistério se acabava e se tornava tão simples como a própria maneira de vivermos. Eram novas gravações no meu cérebro-tape.

 

E naquele dia mais imagens iam se passando dentro de mim. Tudo aquilo estava se desenrolando e regravando para que agora eu pudesse escrever o que não escrevi naquele domingo, 13 de agosto, dia dos pais, do ano de 1978. Tudo isso é mais uma gravação do palco da minha vida que realizo, embora in memoriam.

 

Ele, o meu inesquecível e querido pai Pedro Salviano de Araújo, de saudosa memória, faleceu três anos depois, em uma curva da BR 427, na localidade Itans, em Caicó, no ano de 1981.

 

> Publicado no jornal Tribuna do Norte, no domingo, 13 de agosto de 2000.



Escrito por AssessoRn às 07h51
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Artigo

  A Lei existe para todos

 

Por Flávio Rezende*

Algumas pessoas não acreditam na lei da ação e da reação, mas, nas minhas andanças, conversando com um mundo de gente, percebo que a grande maioria ao menos, da boca pra fora, diz acreditar.

A lei diz sem meias palavras, que a cada ação, corresponderá uma reação. Em termos espirituais, são muitos os livros que explicam o funcionamento da lei, implicando suas reações, as ações empreendidas, em alguns casos, a vidas futuras, dai algumas pessoas afirmarem que fulano fez isso e aquilo, está velho, cheio de dinheiro e não pagou nada. Dizem isso de Antônio Carlos Magalhães e, agora de Lula, que cego ao que acontece a seu redor, segue feliz discursando animadamente Brasil afora, inocentando malfeitores e defendendo bandidos a plena luz do dia.

Mas os estudiosos da lei dizem que ela funciona, sim, eximindo de Deus a responsabilidade de punir esse ou aquele, uma vez que as penas são frutos exclusivos das próprias pessoas e dos seus procedimentos. Digo já aqui, ao caro leitor, que acredito sim nesta lei, acreditando piamente que na pós-morte, a pessoa sofre muito mais do que aqui, se aprontou uma presepada, seja ela qual foi.

Mas as pessoas que andam por ai dizendo que acreditam na lei do carma, muitas delas, estão dizendo isso apenas para se posicionar de forma mais moderna, digamos assim, em conversas eventuais, pois não acredito que uma pessoa crente nessa lei, possa fazer coisas erradas, a não ser pequenos deslizes, fáceis de serem contornados e de lição arrazoada, por ocasião da falta cometida.

Tenho percebido uma degeneração dos costumes. Ontem uma senhora mãe, no aniversário de sua filha, teceu elogios demorados a certo colégio que, segundo ela, foca na passagem do vestibular, nos concursos públicos e forma verdadeiramente os alunos para o mercado de trabalho. Lembro aqui que a ação nesta educação de resultados, tem como reação justamente a falta de companheirismo entre os estudantes, a valorização do egoísmo e o abandono dos valores humanos entre os jovens.

Vejo agora pelos jornais que vereadores de minha cidade, são pegos recebendo dinheiro para votar a favor do que eles chamam de progresso. A ação a favor deste progresso vai provocar uma reação no futuro de uma cidade cheia de problemas conjunturais, de ruas alagadas, de água contaminada, de uma série de problemas ocasionados pela falta de estrutura que a região norte da cidade ainda não tem e, que precisa de muitos e muitos anos para ter. A ação dos vereadores no ato corrupto, já provocou uma reação: a exposição de seus atos, enlameando reputações, provocando dissabores domésticos, entristecendo seus eleitores. Os políticos estão vendo, todos os dias, que a lei do carma está em ação, punindo nesta própria vida os que agem de maneira desonesta, mas embriagados pelo materialismo, ficam cegos, sorrindo desavergonhadamente pelos celulares, loucos pelo vil metal, cobrando dos assessores idas rápidas e furtivas aos bancos, mentindo uns para os outros e, enganando as esposas, filhos, amigos e eleitores, num vergonhoso comportamento, que começa a ter punição, pois a cada ação, corresponde uma reação.

Até recentemente defendia Lula dos ataques e votei nele com orgulho. Agora, decepcionado, me afasto dos assuntos políticos, pois em minha terra e em meu Brasil, essa classe tem poucos representantes do bem, sendo a maioria formada por pessoas de reputação duvidosa e caráter ambíguo.

A atividade política está infestada por amantes do dinheiro, da jogatina, do sexo ilícito. O que eles querem mesmo é trepar, viajar, trair, adquirir bens materiais, além de bois, bezerros e cavalos.

As almas boas, as pessoas de bem, vivem implorando ajuda, realizando eventos pouco prestigiados, enquanto a sociedade se refestela em outros eventos, altamente lotados, com convites disputados a força de influência, numa inversão de valores que acontece a olhos nus, alimentando a cegueira social em que vivemos.

Fico pasmo vendo Lula defender Renan Calheiros e, recentemente Severino. Estive no Teatro Alberto Maranhão e encontrei um petista que julgava ser um homem de visão clara dos fatos. Defendeu Renan em nome de uma tal "maioria no senado". Se a ação for ter uma maioria, mesmo que feita de conhecidos marginais, qual será a reação da lei do carma, com esse governo que protege os insanos políticos da maldade? A lei já está em ação. Acabo de presenciar Lula sendo vaiado na abertura do Pan. Não chegou nem a abrir os jogos. Está fadado a ser punido pela lei, por sua omissão e por acobertamento dos que não prestam.

Os que fazem o bem, não arredam o pé da missão. Sabem que num mundo contaminado pelo materialismo, enfrentarão muitas dificuldades, assistirão o pseudo triunfo das nulidades, mas sabem que vencerão, ficarão para a história como os heróis, como os verdadeiramente corretos.

No plano espiritual existem conforto e reconhecimento sério para os semeadores da paz e os trabalhadores da luz. Seria bom prestar atenção em pessoas como o mestre Jesus, que em rápida passagem por este planeta, deixou claro os caminhos que devem ser seguidos e, hoje, morando na Índia e desenvolvendo um trabalho social inigualável na Terra contemporânea, o educador e líder espiritual Sathya Sai Baba, repete cotidianamente para milhões de seguidores: "a pessoa não deveria ansiar pelo prolongamento da vida, mas por sua santificação."

A lei da ação e da reação existe, dá provas de sua realidade cotidianamente, por isso não esqueça de ajudar o próximo, de comparecer aos eventos do bem, de se engajar nas causas sociais. Vinhos, roupas, carros, viagens, dinheiro, sexo, posição social, tudo isso faz parte da vida, mas não é o mais importante da vida. Pode ser obtido de maneira correta, mas boa parte dos seres, seduzidos por estas coisas, vendem a alma ao diabo e, no fim, acendem sua própria fogueira morrendo no desperdício da oportunidade do crescimento espiritual e, se endividando mais ainda em débitos negativos, prolongando sua aflição futura e causando dor a si próprio e a muitos outros por perto.

*Escritor e jornalista em Natal/RN. (flavioldrezende@gmail.com)



Escrito por AssessoRn às 20h44
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Retalhos do Seridó

 

  Salviano, sertanejo puro

 

Marline Negreiros

 

Foi no sertão de Umbuzeiro, no Seridó, lá na zona rural de Caicó, que num dia de São Pedro há cem anos ele nasceu. Em homenagem ao santo ganhou o nome de Pedro Salviano de Araújo. Quem já passou por aquelas bandas certamente lembra de Seu Salviano do Umbuzeiro, o contador de causos, Seu Pedro da Camioneta.

Pedro casou-se já coroa aos 40 anos com Alzira Tavares uma jovem de 18 anos, professora da cidade, que foi ensinar na comunidade rural. Eles tiveram sete filhos que foram estudar em Caicó ao completarem idade escolar.

Seus filhos, amigos e quem teve a oportunidade de conhecê-lo contam que, indescritivelmente, Pedro Salviano nasceu sertanejo, viveu sertanejo e morreu sertanejo. Homem do sertão, misturava pureza e força no modo de pensar, agir, no jeito de encarar a vida. Falava pausadamente, pontuando as palavras e com sua pose particular envolvia as pessoas. Sempre tinha alguém bem disposto a escutar suas conversas, a ouvir seus conselhos.

Conversar com seu Pedro proporcionava momentos de serenidade e diversão. Era difícil a casa de Salviano não ter costumeiramente uma pessoa ansiosa para gastar o tempo com um dedinho de prosa com o sertanejo. Os filhos são hoje testemunha de muitos amigos que confidenciaram - depois ouvir Seu Salviano tinham a sensação de está de bem com a vida. E ele era assim com todo mundo, independente de credo ou raça, cor ou sexo.

Pedro Salviano sempre tinha um exemplo a contar. Histórias das redondezas, como a do fogo cruzado da Pedreira, no embate entre a polícia e o bando de cangaceiros de Antônio Silvino, fato ocorrido na Fazenda Pedreira no limiar do século XX (em 1901), presenciado por seus pais que moravam nas vizinhanças. O levante comunista em 1935, na capital, com Dinarte Mariz e aliados juntando homens do campo para lutar em Natal contra a intentona, que não foi preciso chegar à capital, voltando da Serra do Doutor.

Ou nas viagens que fez por duas décadas, 1930 e 40, cheias de cangaceiros e revoluções a percorrer o RN, Paraíba e Pernambuco montado em lombo de burro, num roteiro que saía do Umbuzeiro, em Caicó, até o Sul de Pernambuco, Zona da Mata, nas usinas de cana-de-açúcar. Eram comboios de animais burros-mulos e cavalos, que seriam utilizados para o trabalho de transporte de canas nas usinas.

Assim, a contar histórias, criar os filhos, a cuidar do seu sítio, a preservar suas origens. Seu Pedro ficou conhecido como um sertanejo puro, que acordava cedo e com a sua camioneta saía da Zona Rural para resolver alguma necessidade na cidade. Camioneta que virou marca registrada de seu Salviano, onde ele ensinou seus sete filhos a dirigir. Uma Chevrolet de fabricação norte-americana, ano 1951, que ganhou o nome carinhoso de Sinforosa e durou nas mãos da família por cerca de uma década e meia.

A camioneta foi apelidada com esse nome por Sueli, filha mais nova de Pedro Salviano. Os herdeiros de Seu Savialno contam que o veículo era o transporte dos trabalhadores da fazenda, dos familiares, dos amigos e vizinhos que semanalmente se deslocavam à feira Caicó. E muitos momentos da família foram vividos e contados com carinho pelo pai.

Hoje, seus filhos contam com saudade os causos passados pelo pai Salviano e preservam suas raízes.

Nota: A jornalista Marline Negreiros escreve, dominicalmente, a coluna Retalhos do Seridó, no caderno DN Seridó, do Diário de Natal/ O Poti, e nesta edição do dia 8 prestou uma homenagem ao pai deste blogueiro no centenário de seu nascimento.



Escrito por AssessoRn às 20h23
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Crônica

 Fumaça sem fim

 

  Leonardo Sodré

  Jornalista

  Leosodre1@yahoo.com.br

 

A festa era em torno de Dália que havia chegado dos Estados Unidos e de Ceiça que vinha da Holanda. A mesa era grande e a alegria era total. Os assuntos giravam em torno da polêmica da entrevista de Chico Ivan para a Bruhaha e da peleja de dois becodalamenses em torno de algumas poucas fotos que foram enviadas para o grupo de discussão e brigas do Beco da Lama e das Adjacências. Dália trouxe o seu caderno do tempo de colegial, onde ela faz anotações importantes de eventos vividos. Lá tem aquele festival uodistoque, vários eventos políticos, festa dos 15 anos – organizada por Jota Epifânio -, uma ruma de coisas. Tem até charges de LeoSodré e poemas de Eduardo Alexandre. 

A conversa girava solta, leve e plácida. Até que Chagas Lourenço resolveu fumar um charuto enorme, de fumaça azulada, densa e cheirosa. Daqueles que mesmo sem tragar dão uma lombra danada.

Cabrito encostou incólume, faceiro. Os olhos brilhavam em direção aos movimentos requintados que Chagas faz quando fuma um cubano de quase 60 dólares a unidade. Olhava para as mãos do poeta e seguia a fumaça com o nariz. Só não arrebitava mais as ventas porque choveu e ele teve medo de se afogar.

Do outro lado da mesa, Dália fazia sinais para mim. Ininteligíveis. Balançava o seu caderno preto e apontava para Chagas, que, calmo olhava a lua e tomava cerveja. Nem parecia o bebedor de aguardente das boas dos tempos do Beleleu, de Paulinho Sarkis, quando aparecia por lá para ver a garçonete Simone e tomar duas ou três. “Tomar uma é para amador”, sempre disse. 

Os sinais de Dália não paravam. E eu não entendia nada.

Aos olhares cobiçosos de Cabrito, juntaram-se os de Franklin Serrão. Sandrinha, perspicaz, foi logo avisando:

- Se der um trago nesse charuto babado, vai ficar um mês sem me beijar. Vou logo avisando.

Depois de quase duas horas, após o inevitável poema-música “Bobo da Corte”, Chagas resolve entregar o cotoco do charuto para Cabrito. Serrão ofereceu-se para mediar à entrega e aproveitou para dar um trago enorme. Tão grande que caiu para trás na cadeira onde segundos antes o poeta Hugo Tavares estava sentado.

Sandrinha afastou-se repugnada quando viu o estado da boca e dos olhos de Serrão, que lombrado e tonto olhava as estrelas e um pedaço de uma lua inexistente.

Cabrito fez pose de Cascudo para fumar o charuto. E, finalmente Dália conseguiu me dizer o que queria com o caderno preto. Segui suas ordens. Não contei conversa, aprisionei a fumaça e a depositei no caderno, que imediatamente ficou lindo como um céu escuro. Cheiroso como uma penteadeira.



Escrito por AssessoRn às 23h23
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